Programa da III Vitrine Literária Polônica
Local – PORTO ALEGRE (RS)
02-DEZEMBRO-2011 (sexta-feira) -
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20 hs – Recepção/Cadastramento/Confraternização
Local – Salão de festas da Igreja Nossa Senhora de Monte Claro
Av. Presidente Roosevelt, 920 – Bairro São Geraldo
03-DEZEMBRO-2011 (sábado)
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9 hs – Abertura Oficial:
Formação da Mesa, Hinos, Leitura dos Escritores Presentes,
Saudação aos participantes, Uso da palavra pelas autoridades
presentes.
9:30 hs – Palestras:
Historiografia da imigração polonesa: avaliação em perspectiva dos estudos sobre o Rio Grande do Sul.
Um exemplo de preservação: Acervo Edmundo Gardolinski.
Palestrantes: Dra. Regina Weber (UFRGS) e Dra. Thaís Janaína Wenczenovicz (UERGS)
10:00 hs – Intervenções dos participantes
12 hs – Almoço
13:30 hs – Reinício da Vitrine: Palestra:
Imigração polonesa ao Paraná: 140 ANOS.
Palestrante: Prof. Mariano Kawka.
14:00 hs – Intervenções dos Participantes
17:30 hs – Escolha do local da IV Vitrine
Encerramento
Local – Escola da Magistratura da Ajuris - RS
Rua Celeste Gobatto, 229 – Bairro Praia de Belas (próximo do Shopping Praia de Belas)
20 hs – SARAU LITERÁRIO
Local – Restauracja Polska
Rua João Guimarães, 377
04-Dezembro-2011 (domingo)
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9 hs – Celebração da Santa Missa
Local – Igreja Polonesa Nossa Senhora de Monte Claro
Av. Presidente Roosevelt, 910 – Bairro São Geraldo
10:15 hs – Despedida dos Participantes
Local – Sociedade Polônia – Salão Nobre
Av. São Pedro, 778
Filmes Poloneses
A Cinemateca Paulo Amorim e a Associação de Críticos de Cinema do RS (Accirs) promovem, até o dia 13 de outubro, a Mostra Lume Filmes. O programa mostra alguns dos principais títulos da distribuidora Lume, que vem se destacando no cenário nacional pelo lançamento de produções independentes e marcadamente autorais. Os filmes (longas e curtas-metragens) serão exibidos na Sala Eduardo Hirtz, na Casa de Cultura Mario Quintana em Porto Alegre, que desde julho conta com a curadoria da Accirs.
Um dos destaques da mostra é a produção O Moinho e a Cruz, do polonês Lech Majewski, que venceu o I Festival Internacional Lume de Cinema. O filme é inédito nos cinemas de Porto Alegre, bem como o outro título polonês, Tudo que eu Amo (Wszystko, co kocham ), de Jacek Borcuch. Estas produções mostram um pouco do cinema atual da Polônia, trazendo obras dos novos e grandes nomes que despontam de forma interessante pelo mundo todo.
Uma recriação arrebatadora da pintura épica de Pieter Brugel “A procissão para o Calvário”, de 1654. No filme, Rutger Hauer representa Bruegel, Michael York vive um colecionador de arte amigo do pintor e Charlotte Rampling é a inspiração para sua Virgem Maria. Assim Majewski – usando efeitos visuais, tomadas em locações fantásticas na Polônia, na Áustria e na Nova Zelândia e um imenso pano de fundo pintado à mão – conta a história da pintura através de uma análise minuciosa de rituais seculares da vida cotidiana flamenga no século XVI, em toda a sua ocre imundície, com cenas que revelam as escolhas artísticas de Bruegel e o contexto político do momento. A pintura literalmente ganha vida neste filme encantador, em que cenas fantásticas invadem o espectador como um sonho adentra um corpo adormecido.
Roteiro Lech Majewski, Michael Francis Gibson
Fotografia Lech Majewski, Adam Sikora
Edição Eliot Ems, Norbert Rudzik
Música Lech Majewski, Jozef Skrzek
Elenco Rutger Hauer, Michael York, Charlotte Rampling, Joanna Litwin, Dorota Lis
O diretor do filme O Moinho e a Cruz ( The Mill and The Cross Suécia / Polônia | 2010 | Digital, 97 min. ), Lech Majewski, nascido em 1953, na Polônia, é poeta, novelista, compositor, designer de cenários, diretor e produtor. Majewski graduou-se em 1977 pela Escola de Cinema de Lodz e mora nos Estados Unidos desde 1981. Em 2006, o MoMA o homenageou com uma retrospectiva de seu trabalho. Filmografia: “Annunciation” (1978), “The Knight” (1980), “Flight of the Spruce Goose” (1985), “Prisoner of Rio” (1989), “Gospel according to Harry” (1992), “The Roe’s Room” (1997), “Wojaczek” (1999), “Angelus” (2000), “Metaphysics” (2004), “The Garden of Earthly Delights” (2004), “Blood of a Poet” (2007), “O Moinho e a Cruz” (2011).
Tudo que Eu Amo ( Wszystko, co Kocham) de Jacek Borcuch, é uma ficção ambientada em 1981, momento em que a Polônia começa a assistir ao crescimento da Solidariedade, corrente que contribuiria para a corrosão da União Soviética. O filme é contado pelos olhos ingênuos de Janek, adolescente que, prestes a sair do colégio e sem vislumbrar futuro algum em seu país, mergulha na agressividade do punk rock e tem na música.
Polônia / 95 min. / 2010
Direção: Jacek Borcuth
Elenco: Mateusz Kosciukiewicz, Jakub Gierszal, Mateusz Banasiuk
Horários dos filmes e demais informações: http://www.ccmq.com.br/2011/10/mostra-lume-filmes-traz-titulos-ineditos/
entre setembro e dezembro de 2011 nos principais centros culturais do Brasil.
em Curitiba de 6 a 11 de setembro
em Florianopolis de 23 a 27 de outubro
em Porto Alegre de 5 de outubro a 22 de novembro
Filmes:
CÁLAMO / TATARAK
| direção: | Andrzej Wajda |
| roteiro: | Andrzej Wajda |
| fotografia: | Paweł Edelman |
| direção de arte: | Magdalena Dipont |
| música: | Paweł Mykietyn |
| elenco: | Krystyna Janda, Paweł Szajda, Jan Englert, Jadwiga Jankowska-Cieślak, Julia Pietrucha, Roma Gąsiorowska e outros |
Polônia,2009, 83 minutos, cores, legendas em português
“Cálamo” é um filme baseado em um conto de Jaroslaw Iwaszkiewicz, um dos mais renomados escritores poloneses. A princípio uma história sutil e tocante sobre um amor impossível, no entanto, Wajda vai mais fundo, criando um conto multidimensional sobre o sentimento, que chega tarde demais, e sobre a morte, que sempre chega cedo demais.
Marta (Krystyna Janda), uma mulher educada e de meia-idade, casada com um médico (Jan Englert) de uma pequena cidade, não sabe que tem uma doença terminal. Há anos chora a morte de seus dois filhos, mortos no Levante de Varsóvia. Certo dia conhece um homem mais novo, um simples trabalhador chamado Bogus (Paweł Szajda), o qual a encanta com sua juventude e inocência. Este encontro à beira de um rio coberto por cálamos é marcado pela fascinação recíproca de duas existências, onde uma caminha para o fim prematuro e a outra somente acaba de entrar na maturidade. No entanto o destino se mostra cruel para eles.
Essa é somente a primeira dimensão do filme, pois “Cálamo” é igualmente um filme sobre a criação de um filme, e a personagem principal não é somente a fictícia Marta, mas a atriz que a interpreta.
Andrzej Wajda entrelaça no conto de Iwaszkiewicz um autêntico monólogo de Krystyna Janda sobre a morte prematura de seu marido Edward Klosinski, um reconhecido operador de cinema, ao qual este filme foi dedicado. Desta maneira, ambas as mulheres, Krystyna e Marta – se misturam em um único ser ferido, que precisa encontrar forças em si mesma e superar a perspectiva de uma morte inevitável.
A VINGANÇA / ZEMSTA
| direção: | Andrzej Wajda |
| roteiro: | Andrzej Wajda |
| fotografia: | Paweł Edelman |
| direção de arte: | Tadeusz Kosarewicz, Magdalena Dipont |
| música: | Wojciech Kilar |
| elenco: | Roman Polański, Janusz Gajos, Andrzej Seweryn, Katarzyna Figura, Daniel Olbrychski, Agata Buzek, Rafał Królikowski e outros |
Polônia, 2002, 100 minutos, cores, legendas em português
Czesnik Raptusiewcz (Janusz Gajos) divide o mesmo castelo que o odiado escrivão Milczek (Andrzej Seweryn). Ele quer se casar com a viúva Podstolina (Katarzyna Figura) e ambiciona suas propriedades, porém, ele não sabe que a própria Podstolina está procurando um marido rico. Consciente de sua aparência e sua falta de polidez social, Czesnik pede ajuda a Papkin (Roman Polanski) para que esse arranje o casamento. Papkin se faz de conquistador e grande herói, sendo na verdade um covarde e fantasiador, mas ama de forma muito romântica Klara (Agata Buzek), tutelada e sobrinha do escrivão. Mas Klara está apaixonada pelo filho do escrivão, Waclaw (Rafal Krolikowski). Os jovens percebem que o seu amor está passando por uma grande prova, pois nem o pai de Waclaw – o escrivão, nem o tio e protetor de Klara – Czesnik, não pretendem aceitar este casamento.
Segue-se assim uma série de intrigas, mentiras, sequestro, acertos e desacertos desta comédia.
SENHOR TADEU / PAN TADEUSZ
| direção: | Andrzej Wajda |
| roteiro: | Andrzej Wajda, Jan Nowina Zarzycki, Piotr Wereśniak |
| fotografia: | Paweł Edelman |
| direção de arte: | Allan Starski |
| música: | Wojciech Kilar |
| elenco: | Bogusław Linda, Daniel Olbrychski, Grażyna Szapołowska, Andrzej Seweryn, Marek Kondrat, Krzysztof Kolberger,Jerzy Bińczycki, Alicja Bachleda-Curuś, Michał Żebrowski, Jerzy Trela, Jerzy Grałek, Marian Kociniak e outros |
Polônia, 1999, 147minutos, cores, legendas em português
Adam Mickiewicz escreveu “Senhor Tadeu” em 1834, depois de dez anos no exterior. Carregado de lirismo e saudade do país, num longo poema apresenta a visão de um mundo aristocrata em extinção, tornando pública a imagem contemporânea dos poloneses e da Polônia.
A tentativa de transferir para as telas esta epopéia nacional encontrou desde o princípio disputas e controvérsias com respeito tanto ao elenco como à configuração do roteiro. Mesmo com a maioria não acreditando no sucesso de tal empreitada, Andrzej Wajda não desistiu de seus planos. Tomando em consideração os gostos dos espectadores atuais, o diretor se focou na ação, no romance, com um toque de humor e lindas paisagens, não ignorando as estrofes poéticas originais, com as quais os atores se comunicam.
Na penumbra de um apartamento em Paris, imigrantes poloneses se encontram e relembram a sua pátria. Adam Mickiewicz (Krzysztof Kolberger) nos narra o conto sobre a Última Incursão Armada na Lituânia. Estamos no ano de 1811.
Tadeusz Soplica (Michal Zebrowski), depois de terminar os estudos, retorna para o palacete lituano da família. Dono da propriedade, o Juiz (Andrzej Seweryn) é seu tio e protetor.
Visitando antigos recantos da casa, Tadeusz chega ao seu quarto de infância, aonde encontra Zosia (Alicja Bachleda-Curus). Esta linda jovem atiça as suas imaginações juvenis despertando seus sentimentos de desejo e paixão. À noite, durante um jantar oferecido no castelo, acontece uma disputa entre os aristocratas rurais da família Soplica e o Conde (Marek Kondrat), último descendente dos Hareszko, Tadeusz encontra a sedutora Telimena (Grazyna Szapalowska) e iniciam um romance.
Porém, em pouco tempo descobre que ela é a governanta da linda e jovem Zosia.
Tadeusz nem desconfia que o padre Robak (Bogusław Linda), respeitado e reconhecido por seus atos patrióticos, é Jacek Soplica, em sua juventude cometeu um crime e que o fez se esconder em um monastério.
O filme celebra seu triunfo batendo todos os recordes de bilheteria.
KORCZAK / KORCZAK
| direção: | Andrzej Wajda |
| roteiro: | Agnieszka Holland |
| fotografia: | Robby Muller |
| direção de arte: | Allan Starski |
| música: | Wojciech Kilar |
| elenco: | Wojciech Pszoniak, Ewa Dałkowska,Teresa Budzisz-Krzyżanowska, Marzena Trybała, Piotr Kozłowski, Zbigniew Zamachowski, Jan Peszek, Aleksander Bardini e outros |
Polônia, 1990, 113 minutos, cores, legendas em português
Este filme retrata a vida de Janusz Korczak, escritor, pedagogo e amigo das crianças. Passou três anos da guerra com as crianças do orfanato no Gueto de Varsóvia e em um esforço heróico tentou garantir que tivessem uma existência com um mínimo de dignidade.
Em 1936, Janusz Korczak (Wojciech Pszoniak), depois de mais um programa na Rádio Polônia, descobre que a transmissão interronpida. Durante as férias, em colônias de férias estudantis, ex-pupilos de Korczak o acusam devido à sua bondade, alegando que não foram preparados para a vida no mundo “real”, onde com frequência precisam encarar o anti-semitismo.
Em setembro de 1939, Janusz Korczak com o uniforme do Exército Polonês cumpre seu dever nas ruas de Varsóvia. Um ex-aluno seu, Heniek (Piotr Kozlowski) tenta convencê-lo a tirar o uniforme para não chamar a atenção dos alemães.
Korczak tenta separar as crianças do horror do dia-a-dia, organizando aulas e brincadeiras. Chegam ao Orfanato os representantes do Conselho do Gueto pedindo que ele aceite mais crianças. Korczak recusa-se, tentando assegurar o melhor cuidado às “próprias” crianças. Mas depois muda de opinião.
Korczak prepara uma peça de teatro baseada na obra de Rabindranath Tagore, falando sobre a morte, achando que as crianças devem se acostumar com ela.
No Gueto chegam informações sobre o destino dos judeus deslocados do Gueto. Korczak com os colegas de trabalho pensam no que fazer. Ele recebe uma proposta para deixar o orfanato, mas Korczak decide continuar junto até o final. Acredita que os alemães não tocarão nos orfanatos.
Os alemães chegam ao orfanato e iniciam o deslocamento. As crianças tranquilamente caminham pelas ruas do Gueto acreditando que vão para uma excursão. Korczak entra nos vagões com as crianças e partem na direção do campo de concentração de Treblinka.
CRÔNICA DOS ACIDENTES AMOROSOS / KRONIKA WYPADKÓW MIŁOSNYCH
| direção: | Andrzej Wajda |
| roteiro: | Tadeusz Konwicki |
| fotografia: | Edward Kłosiński |
| direção de arte: | Janusz Sosnowski, Barbara Nowak |
| música: | Wojciech Kilar |
| elenco: | Paulina Młynarska, Piotr Wawrzyńczak, Magdalena Wójcik, Bernadetta Machała, Dariusz Dobkowski, Jarosław Gruda, Joanna Szczepkowska, Gabriela Kownacka, Tadeusz Konwickie outros |
Polônia, 1995, 114 minutos, cores, legendas em português
“Naquele tempos a Lituânia tinha sua área geográfica indeterminada, uma formação étnica confusa, uma zona de cultura indefinida. Naquela época a Lituânia era um temporal de verão que chega de forma brusca, ou melhor, o interior de um vulcão em extinção. A Lituânia era então um grande sol se pondo, mostrando lindas e estranhas faixas de luz e os restos do arco-íris” – escreveu Tadeusz Konwicki em “Crônica dos acidentes amorosos”.
Essas palavras poderiam ser a moral deste filme de Andrzej Wajda, criado com base nesse romance. O autor de “Canal”, extremamente sensível à composição de cada fotograma, encheu sua obra de claras e cintilantes imagens, paisagens de cidades, fotografias de um mundo seguro, comum e cheio de ternura. Nessa realidade apresentada conscientemente, mas de maneira inocente e idílica, o autor inseriu sinais de inquietação e temor, implicitamente anunciando a destruição. Pois a “Crônica dos acontecimentos amorosos”, assim como o filme “Senhor Tadeu”, se passa numa esfera tecida de lembranças e nostalgia. Nostalgia da inocência, da pureza e do mítico país da infância – a mais linda, e ao mesmo tempo, perdida para sempre. O fundamento e a única razão de ser deste mundo é a imaginação do artista – tão indefesa contra as confusões históricas e cataclismos.
Os movimentos dessa imaginação movem as personagens do filme de Wajda.
AS SENHORITAS DE WILKO / PANNY Z WILKA
| direção: | Andrzej Wajda |
| roteiro: | Zbigniew Kamiński |
| fotografia: | Edward Kłosiński |
| direção de arte: | Allan Starski |
| música: | Karol Szymanowski |
| elenco: | Daniel Olbrychski, Anna Seniuk, Christine Pascal, Maja Komorowska, Stanisława Celińska, Krystyna Zachwatowicz, Paul Dutron, Zofia Jaroszewska, Zbigniew Zapasiewicz, Andrzej Łapicki e outros. |
Polônia, 1979, 116 minutos, cores, legendas em português
As obras do escritor Jaroslaw Iwaszkiewicz (1894-1980) estão entre as mais ricas da literatura moderna polonesa. Ao longo de seus 60 anos de incansáveis produções, Iwaszkiewicz se interessou por diversas áreas e estilos literários. Por toda a vida praticou a lírica, escreveu romances e novelas, dramas, ensaios, biografias, reportagens e críticas. Os romances ocupam um lugar muito especial entre as suas criações.
Uma de suas características mais comuns é o realismo envolvido em termos psicológicos. Problemas comuns de cada ser humano, questões sobre a vida e a morte, sentimentos e amor, são observados através do prisma de um tempo que não para. Não há volta aos acontecimentos do passado. A imagem da realidade, sobre a qual por anos pensávamos ser a única verdade, agora sob a luz de novas experiências parece ser simples e banal. Um conto íntimo e repleto de reflexões sobre a relação do homem e os ciclos naturais: vida e morte.
A procura de vestígios de emoções passadas, o nosso herói Wiktor Ruben (Daniel Olbrychski), depois de anos ausente, visita a cidade onde passou sua juventude. Em uma cidadezinha do interior, numa mansão próxima a casa de seus tios, passou os anos de sua mocidade em companhia de algumas jovens senhoritas.
Agora, Julia (Anna Seniuk) aguarda o nascimento de gêmeos, Jola (Maja Komorowska) se casou, Fela morreu prematuramente, também mudaram Zosia (Stanislawa Celinska) e Kazia (Krystyna Zachwatowicz), e da pequena Tunia (Christine Pascal) cresceu uma linda mulher.
O aparecimento de Ruben, com suas lembranças e desejo de acordar o passado, atormenta a paz de todos na mansão, revelando os seus destinos perturbados, dramas e fracassos da vida. Ruben sai da cidade decidido a nunca mais voltar.
O MAESTRO / DYRYGENT
| direção: | Andrzej Wajda |
| roteiro: | Andrzej Kijowski |
| fotografia: | Sławomir Idziak |
| direção de arte: | Allan Starski |
| música: | Ludwig van Beethoven |
| elenco: | John Gielgud, Krystyna Janda, Andrzej Seweryn, Jan Ciecierski, Tadeusz Czechowski, Marek Dąbrowski, Janusz Gajos e outros. |
Polônia, 1979, 102 minutos, cores, legendas em português
Quando pediram a Ingmar Bergman que apresentasse uma lista com os onze filmes que mais o impressionaram, ele aceitou o desafio e entre esses restritos onze filmes, nos primeiros da lista, estava “O Maestro” de Andrzej Wajda. Qual foi a razão de tal escolha, sobre a qual, os críticos poloneses mencionaram que este filme não está nem mesmo entre os melhores de Wajda? Talvez possa ser a presença neste filme do motivo da “procura do tempo perdido”, idéia também constantemente presente nos filmes do autor de “Morangos Silvestres”? Talvez…
Sem dúvida nenhuma esse filme foi melhor recebido no exterior do que na Polônia. O filme “O Maestro” recebeu prêmios em prestigiados festivais de cinema como o de San Sebastian e Santander.
Marta (Krystyna Janda) uma jovem e talentosa violinista, que durante seus estudos nos EUA conheceu John Lasocki (John Gielgud), maestro conhecido internacionalmente, que fora um grande amor de sua mãe. O choque causado por esse encontro com Marta, despertou no velho mestre, o desejo de voltar ao passado. Lasocki rompe contatos, descuida de seus compromissos e horários. Viaja para a Polônia e vai para a cidade onde nasceu há mais de setenta anos. Quer dirigir a V Sinfonia de Beethoven, a ser executada pela orquestra local. No entanto, o diretor desta orquestra é o marido de Marta, Adam (Andrzej Seweryn), pessoa ambiciosa e um pouco absorta. Com a chegada de Lasocki vê sua grande chance. Adam repara a fascinação de Marta pelo grande maestro, sua humildade, gentileza e entendimento da essência da música. Nasce então, um sentimento de ameaça que se transforma em raiva. Lasocki morre repentinamente.
Marta começa a julgar o marido em sua personalidade e caráter.
John Lasocki foi representado pelo astro britânico, John Gielgud. Marta foi representada por Krystyna Janda, então no início da sua carreira artística, no entanto Adam, foi representado por seu ex-marido Andrzej Seweryn. E justamente ele recebeu a melhor crítica.
A crítica provocava Wajda afirmando que não aproveitou suficientemente o papel da música de Beethoven. Escreveram que a “V Sinfonia” poderia ser um comentário metafórico do intrincado destino dos personagens, mas serviu somente como um belo acessório adicional.
Mesmo assim, o filme “O Maestro”, ficou como uma gravação minuciosa das relações “trêmulas” entre as pessoas; sobre a insegurança de atitudes e ideais, padrões culturais passageiros e relativos.
O HOMEM DE MÁRMORE / CZŁOWIEK Z MARMURU
| direção: | Andrzej Wajda |
| roteiro: | Aleksander Ścibor-Rylski |
| fotografia: | Edward Kłosiński |
| direção de arte: | Allan Starski |
| música: | Andrzej Korzyński |
| elenco: | Jerzy Radziwiłowicz, Krystyna Janda, Tadeusz Łomnicki, Jacek Łomnicki, Michał Tarkowski, Piotr Cieślak, Wiesław Wójcik, Krystyna Zachwatowicz, Magda Teresa Wójcik e outros. |
Polônia, 1976, 153 minutos, cores, legendas em português
“O Homem de Mármore” nasceu no sacrifício. Foram necessárias muitas tentativas e intervenções para convencer os funcionários e diretores de cultura de que este não fosse um filme que atacasse o governo comunista.
E foi? Foi, e de forma tão proeminente e minuciosa que gerou pânico. Esta obra de Wajda foi designada à distribuição limitada, fato que ao invés de mascarar, serviu para melhor popularizar e repercutir o filme. Uma obra que foi bem-sucedida em ligar uma arte sincera a uma crítica aberta sobre a mentira, violência e escravidão, tendo em si uma força singular de influência. Este filme se tornou também um grande evento, não apenas cultural. As mídias oficiais tentaram adulterar o seu sentido, falando e escrevendo que “O Homem de Mármore” é somente uma voz útil em um construtivo debate socialista sobre “o tempo dos erros e distorções” condenado já pelo partido comunista. Mas também desta vez “a vontade do partido” se desencontrou com “a vontade do povo”.
A vida dramática de Mateusz Birkut (Jerzy Radziwiłowicz) foi com razão percebida pelos espectadores como uma metáfora de luta de uma unidade contra o totalitarismo. “A luta de Birkut pela verdade, afinal não acabou nos anos 50″ – Wajda parecia dizer através de seu filme – “essa luta continua até hoje, e prova disso é a desesperada luta de Agnieszka (Krystyna Janda) contra a nomenclatura da televisão”.
Para o sucesso de “O Homem de Mármore” contribuíram o talento e trabalho de muitas pessoas, principalmente do diretor e dos atores principais. A criação espetacular de Mateusz Birkut, foi desempenhada pelo jovem ator do Teatro Velho de Cracóvia Jerzy Radziwiłowicz, antes conhecido apenas por dois papéis no cinema. Uma debutante absoluta na tela foi a expressiva Krystyna Janda, na época uma atriz de vinte e cinco anos de idade do Teatro Ateneum de Varsóvia. A atenção da crítica foi atraída também pela construção da obra de Wajda. Pois não se trata somente de um conto fascinante sobre o homem destruído pela história, mas também uma minuciosa gravação da realização de um filme. É um registro de um caminho frequentemente difícil de um autor cheio de obstáculos em forma de falta de dinheiro, má vontade das autoridades, problemas técnicos. Hoje o filme “O Homem de Mármore” já é um clássico e uma lenda.
TUDO À VENDA / WSZYSTKO NA SPRZEDAŻ
| direção: | Andrzej Wajda |
| roteiro: | Andrzej Wajda |
| fotografia: | Witold Sobociński |
| escenografia: | Wiesław Śniadecki |
| música: | Andrzej Korzyński |
| elenco: | Beata Tyszkiewicz, Elżbieta Czyżewska, Andrzej Łapicki, Daniel Olbrychski, Witold Holtz, Małgorzata Potocka, Elżbieta Kępińska, Bogumił Kobiela e outros. |
Polônia, 1968, 94 minutos, cores, legendas em português
O filme construído ao redor do tema da procura do ator desaparecido, que não apareceu para às gravações de um filme, é uma imagem de paixão e fraquezas do ambiente cinematográfico.
“Tudo à venda” conta sobre um homem que de repente partiu. Sua morte força a refletir, quem ele foi de verdade, o que ele deixou para trás, quem ficará na memória dos que o amavam, Quanto tempo a lenda dele sobreviverá?
Em várias entrevistas com Andrzej Wajda aparece a frase de Zbigniew Cybulski no aeroporto de Roma, um pouco antes da morte dele: “Digam a ele (ao Wajda), que ainda vai sentir saudade de mim”. Da exposição dessas palavras no filme vem a conclusão que essa obra era para ser um cálculo com o passado – com a amizade entre Wajda e Cybulski.
Cybulski atuou somente três vezes nos filmes de Wajda: em “Cinzas e Diamante”, “A Geração”, e em “Magos inocentes”. Mas o diretor tinha planos de realizar outros filmes com ele. Sua morte foi um choque; “à noite Polanski ligou com a notícia que Zbigniew morreu. De repente me senti como um autor sem seu personagem. Pensei que apesar de tudo, tenho que fazer um filme justo sobre ele, assim fascinante, mesmo que parasse de existir”.
Mas a morte de Zbigniew Cybulski foi somente um dos motivos para realização desse filme. Apesar podermos ver na tela muitos fatos da vida de Cybulski, não é um filme sobre ele. Como dizia Andrzej Wajda – esse é um conto sobre as pessoas que fazem filmes, sobre os diretores, atores, assistentes, ajudantes. Os atores do filme “Tudo à venda”, tais como Beata Tyszkiewicz, Elzbieta Czyzewska ou Daniel Olbrychski representam eles mesmos, com seus próprios nomes e falam seus próprios textos. A ficção de um filme se mistura com a realidade.
No título “venda” é o descobrimento dos próprios pensamentos, emoções, impressões, um certo exame de consciência.
O MESCLADO / PRZEKŁADANIEC
| direção: | Andrzej Wajda |
| roteiro: | Stanisław Lem |
| fotografia: | Wiesław Zdort |
| escenografia: | Teresa Barska |
| música: | Andrzej Markowski |
| elenco: | Bogumił Kobiela, Ryszard Filipski, Anna Prucnal, Jerzy Zelnik, Piotr Wysocki, Tadeusz Pluciński, Gerard Wilk, Marek Kobiela e outros. |
Polônia, 1968, 35 minutos, p&b, legendas em português
Realizado no final dos anos 60, é um filme de curta metragem sobre os acontecimentos do futuro, no começo do século XXI. O roteiro foi escrito pelo especialista em obras de ficção científica e também grotesco, Stanislaw Lem. Desde a estréia de “O Mesclado” passaram-se 43 anos, nesse meio tempo a medicina fez um progresso enorme. Hoje em dia os transplantes de órgãos humanos são comuns. O que antes parecia pura fantasia, virou realidade. Naqueles anos uma obra de arte grotesca sob a direção de Wajda causou muitas emoções, ganhou reconhecimento da crítica, e o sucesso foi confirmado através de muitos prêmios e distinções prestigiosas, entre outras do Comitê de Rádio e Televisão e Medalha Especial no Festival de Filmes de Ficção Científica em Sitges na Espanha. Com grande êxito o curta de ficção científica foi exibido pela televisão na Europa.
A personagem principal do filme é o piloto de carros de corrida, Richard Fox (Bogumil Kobiela). Múltiplo medalhista e ganhador de vários prêmios, faz sucesso junto com o seu irmão, Thomas (Marek Kobiela), um ótimo co-piloto. Em uma corrida, os irmãos têm um grave acidente com sérios ferimentos e são levados para a clínica dirigida por um genial médico (Jerzy Zelnik), especializado em transplantes de órgãos humanos. As vítimas da terrível catástrofe ficam sujeitas a operações complexas. O médico salvou somente a vida de Richard, e se verifica já terem sido transplantados vários órgãos de Thomas.
Quando a esposa do falecido (Anna Prucnal) tenta receber a indenização da companhia de seguros, estoura um escândalo. A firma decide pagar-lhe somente 30 por cento do valor total, justificando que somente uma parte do homem foi enterrada. Os demais órgãos de Thomas “estão vivos” e funcionam normalmente no corpo do seu irmão.
Richard, que também aguarda pela indenização da companhia de seguros, é informado pelo advogado que o caso se apresenta como muito difícil.
Ao mesmo tempo acontece um outro acidente trágico, onde morrem oito pessoas que se encontravam no percurso da corrida, entre elas a viúva de Thomas. Richard de novo consegue sobreviver graças à intervenção do genial médico. O piloto “mesclado” com os órgãos das vítimas do acidente, tem cada vez menos partes de seu próprio corpo.
OS MAGOS INOCENTES / NIEWINNI CZARODZIEJE
| direção: | Andrzej Wajda |
| roteiro: | Jerzy Andrzejewski, Jerzy Skolimowski |
| fotografia: | Krzysztof Winiewicz |
| escenografia: | Leszek Wajda |
| música: | Krzysztof Komeda |
| elenco: | Tadeusz Łomnicki, Krystyna Stypułkowska, Wanda Koczeska, Kalina Jędrusik, Teresa Szmigielówna, Zbigniew Cybulski, Roman Polański, Krzysztof Komeda, Jerzy Skolimowski e outros. |
Polônia, 2002, 100 minutos, cores, legendas em português
Andrzej Wajda disse sobre a sua obra:
“…provavelmente um dos filmes mais politicamente neutros que realizei. Porém foi avaliado de outra maneira pelo poder comunista dos tempos de Gomułka. Um tema inocente, sobre um jovem médico, que gosta de meias elásticas e de bons cigarros, que tem um gravador e fica gravando as suas conversas com as mulheres, e o seu único passatempo é tocar bateria na banda de jazz de Krzysztof Komeda – verificou-se ser um tema mais delicado para os educadores da ideologia comunista de que o próprio Exército Nacional ou o Levante de Varsóvia”.
“Os Magos Inocentes” é um estudo psicológico de um casal jovem.
Ele, um jovem médico de atletas, que em “seu tempo livre” toca jazz no porão. Não tem grandes ambições, sonha com uma casa e um carro, e não liga muito para as emoções. Tem um jeito próprio de construir sua autoconfiança, pinta o cabelo de loiro, tem comportamento natural, anda de moto, sua quitinete é um buraco vazio em função de um quarto com vários troféus e uma foto de Einstein.
Ela, uma moça que encontrou por acaso em um clube de música. Não se sabe muito mais sobre ela.
O casal passa uma noite junto, levando um certo jogo de amor entre caretas e poses, mas ficam cada vez mais fascinados um pelo outro. Com o passar do tempo um alegre jogo erótico se transforma em um streap poker. No jogo a aposta é alta e se a moça perder deverá se entregar…
Cinismo, indiferença e a atitude libertina dos personagens são apenas uma máscara, atrás da qual escondem-se emoções humanas normais ou pelo menos da nostalgia por elas.
O filme causou um amplo debate social. As críticas depois de sua estreia foram extremamente diferentes – desde as agressivas até às positivas. Isso não prejudicou que “Os Magos Inocentes” conquistasse o diploma no Festival Internacional de Filmes em Edimburgo em 1961.
por Andrzej Bukowiecki
Em 1978, Andrzej Wajda realizou o documentário “O convite para o interior”. Com esse filme ele despertou o interesse para uma das maiores coleções polonesas da arte naïf.
Fazendo uma paráfrase ao título daquele filme, convidamos o público brasileiro ao cinema. Com o intuito de estimular a todos para que conheçam uma parte da enorme coleção das obras do próprio Wajda, que há 50 anos goza do título de mestre da cinematografia polonesa.
No dia 6 de março deste ano Andrzej Wajda completou 85 anos. Por essa ocasião, o Presidente da Polônia Bronislaw Komorowski, condecorou o diretor de cinema com a maior distinção estadual da República da Polônia, – Medalha da Águia Branca – em reconhecimento aos “grandes méritos para a cultura nacional, êxitos na atividade artística e promoção da arte cinematográfica polonesa no mundo”. Deste modo, esta condecoração aumentou ainda mais a coleção dos mais de 90 troféus que recebeu o autor do mais famoso filme polonês, “Cinzas e diamante” (1958). Nesta coleção não faltam também o Oscar pelo conjunto da criação artística (2000), Palma de Ouro em Cannes pelo filme “O homem de aço” (1981) bem como o prêmio Águia, conhecido também como o “Oscar polonês” pelo conjunto da obra durante a sua vida (2000).
Apesar de que quatro de seus filmes: “A terra prometida” (1974), “As senhoritas de Wilko” (1979), o mencionado “O homem de ferro”, e recentemente com o filme “Katyn” (2007) terem sido indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o autor não pensa em descansar. Em Varsóvia conduz a Escola de Maestria de Direção Cinematográfica de Wajda, que acaba de fazer seu décimo aniversário. Como sempre, toma a palavra nos assuntos do ambiente cinematográfico e nas questões de mais amplo alcance público e também na política.
Sintomaticamente, Andrzej Wajda está começando a produção de um filme biográfico sobre um outro grande polonês, o arquiteto da restituição da independência após cinquenta anos de comunismo – Lech Walesa. Esperamos que esse não seja o último filme do autor de “Canal” (1956). Pressupõe-se, porém, que este filme irá se tornar uma soma do mais importante fluxo de sua criação, onde Wajda- artista encontra-se com Wajda- consciente cidadão do próprio país, onde comenta com a sua lente os problemas de grande significado para os compatriotas.
Assim foi em “Canal”, onde o protagonista da nossa mostra reabilitou os participantes do Levante de Varsóvia – uma batalha antinazista, antes desprezada pela propaganda de Stalin.
Assim foi também em “O homem de mármore” (1976), onde em uma época de relativa prosperidade a sociedade acordou da letargia, lembrando que o stalinismo existia de verdade e vinte anos depois da morte de Stalin não parou de influenciar a vida pública.
Assim foi também no recente filme “Katyn”, que foi transmitido também pela televisão brasileira – que aponta a Rússia não contemporânea, mas soviética, totalitária, da época do stalinismo – como responsável pelo assassino bestial dos oficiais do exército polonês em 1940.
O CINEMA PARA TODOS
O público brasileiro que irá assistir os filmes de Andrzej Wajda, não fugirá de assuntos poloneses, e em uma visão mais ampla, igualmente assuntos europeus, o que cria uma chance maravilhosa de aprofundar o conhecimento sobre tudo o que a Polônia e os países da mesma região viveram durante anos.
“Chance maravilhosa”, por ser o conhecimento vindo não de um manual tedioso, mas de obras de arte, que irão nos proporcionar impressões estéticas e emocionais. Queremos tirar todas as dúvidas: uma forte ligação da criação de Wajda (também no teatro, mas esse não é o assunto da presente mostra) com história, tradição, cultura polonesa e com a vida contemporânea da Polônia, não significa que será incompreendida no estrangeiro.
Primeiro, porque a luta contra o totalitarismo foi uma experiência de vários países em vários cantos da Terra. Segundo, pelo fato do autor destinar as camadas políticas do filme principalmente ao espectador polonês, essa sempre está envolvida em uma história comovente sobre as pessoas e valores universais como o amor, a liberdade ou simplesmente a vida. Não é preciso ser perito na área do stalinismo para se emocionar com os destinos dos jovens protagonistas de “O homem de mármore”: um operário e uma diretora de filmes, os quais – respectivamente à sua época – lutam com determinação pelo respeito à dignidade humana e a contestação da história.
Wajda frequentemente apela aos códigos culturais das conhecidas pessoas cultas, independente do seu lugar de moradia. Os espectadores de ambos os hemisférios podiam ter uma leve idéia sobre o conflito político no qual ficou envolvido o protagonista de “Cinzas e diamante”, Maciek Chelmicki, numa interpretação inesquecível de Zbigniew Cybulski. Mas se ouviram falar de filosofia existencial, entenderão o drama de Maciek – um rapaz em uma situação sem saída, sem boas escolhas pela frente. Da mesma maneira, dessa vez graças ao paralelo com “Antígona” de Sófocles, identificaram-se com uma heroína de “Katyn”. Na comédia de época “A vingança” (2002), apesar de referências ao caráter nacional dos poloneses, descobrirão uma versão mais feliz do padrão conhecido de “Romeo e Julieta” de Shakespeare.
A terceira razão de uma grande facilidade de entender os filmes de Wajda é o universalismo das imagens, através das quais os filmes dele chamam a atenção de todos com grande impacto. Mesmo com a sorte de viver em um país feliz, onde não houve o Holocausto, será difícil conter as lágrimas ao ver a marcha final de “Korczak” (1990). No meio da segunda guerra mundial o herói principal, famoso pedagogo polonês de origem judaica, está caminhando num silêncio inigualável na frente dos seus tutelados – crianças do orfanato do Gueto de Varsóvia – no sentido da praça, da qual vai partir com eles para sua última viagem: para as câmaras de gás do campo de concentração nazista em Treblinka.
Além de Wajda “envolvido” existe também o Wajda “diferente”, que faz filmes livres de política e do martírio, que falam “somente” sobre a vida, a morte, o amor, a passagem do tempo, muitas vezes sobre a paixão e a inquietude da criação, porém não livres de um fundo histórico.
Esse fluxo psicológico-moral da criação do mestre da cinematografia polonesa estará presente na retrospectiva brasileira, em exemplos como “Os inocentes charmosos” (1960), “Tudo à venda” (1968) e “As senhoritas de Wilko”. Ambos os fluxos – tanto “político” como “apolítico” – estão presentes juntos aos filmes: “O maestro” (1979), “Crônica dos acidentes amorosos” (1985), cuja ação se passa na véspera do estouro da segunda guerra mundial e no último filme de Wajda feito até a data de hoje: “Cálamo” (2009), onde o segundo fluxo é visivelmente predominante.
Além disso, o público da retrospectiva irá se convencer que Wajda, um homem muito realista, fez até um filme de ficção científica. E mais! Nos últimos anos, não abrindo mão da minuciosa análise da história polonesa, e certamente por razão da idade avançada, olhou para ela com uma distância maior, com um sorriso. Assim como fizeram nos seus últimos filmes Bunuel e Fellini, começou a divertir o público. Se a versão brasileira dos diálogos em forma de poema em “Senhor Tadeu” (1999) e em “A vingança” refletirem bem o humor, estes filmes são capazes de proporcionar bastante alegria também aos brasileiros, mostrando ao mesmo tempo mais uma, inesperada face da contínua atividade cinematográfica de Andrzej Wajda.
AULA DE HISTÓRIA DO CINEMA CONTEMPORÂNEO
A primeira apreciação do programa da retrospectiva causa uma suspeita: os filmes foram escolhidos um pouco ao acaso. Mas não é assim. Quem assistir a todos os filmes passará pela história da Polônia – começando pela “república nobre” do século XVIII (“Senhor Tadeu”, “A vingança”), pela II República Polonesa do tempo entre as guerras (“As senhoritas de Wilko”, “Crônica dos acidentes amorosos”), a ocupação nazista (“Korczak”), etapas de pior ou menor vigilância do comunismo (“Os inocentes charmosos”, “Tudo à venda”, “O homem de mármore”, “O maestro” e parcialmente em o “Cálamo”), até os tempos modernos (de novo “Cálamo”). O espectador vai repetir igualmente uma aula da história do cinema contemporâneo, não só polonês. Pois os filmes de Wajda fazem parte das tendências da cinematografia mundial (e graças a isso se tornam mais compreensíveis fora da Polônia), ou no mínimo dos cursos importantes da cinematografia nacional.
Vale a pena lembrar que no início da carreira, Andrzej Wajda através do seu primeiro filme “A geração” (1954), e em particular através de “Canal” e “Cinzas e diamante”, e depois também pelo seu primeiro filme colorido -”Lotna” (1959) co-criou e propagou esse curso mundialmente: Escola Polonesa de Cinema. Os filmes de Wajda, Andrzej Munk, Jerzy Kawalerowicz, Kazimierz Kutz e de outros diretores, que fazem parte desse curso, fizeram contas com a época da segunda guerra mundial e a ocupação nazista de uma maneira histórico-filosófica e artística.
Se considerarmos a ordem cronológica das realizações dos filmes apresentados, a nossa mostra começa depois da extinção da Escola Polonesa de Cinema. O filme mais antigo “Os inocentes charmosos”, junto com alguns outros filmes da passagem dos anos 50/60 do século XX, tais como “O último dia do verão” de Tadeusz Konwicki, “O trem” de Jerzy Kawalerowicz, “Tchau, até amanhã” de Janusz Morgenstern e “Faca na água” de Roman Polanski, criaram outro fenômeno, chamado pela crítica de “Nova Onda Polonesa”. Esse fenômeno floresceu ao mesmo tempo em que o novo cinema europeu, com a francesa Nouvelle Vague na frente, e aproximou-se a ele tanto do ponto de vista ideológico, como do estético.
A guerra e a ocupação nazista cederam lugar aos assuntos contemporâneos, e os jovens, um pouco cínicos e protagonistas de “Os inocentes charmosos” trocaram fuzis e granadas, os quais levaram os seus antecedentes heróicos de o “Canal”, pelos instrumentos da música de jazz, composta pelo genial Krzysztof Komeda, o futuro compositor da “Canção de ninar” em “O Bebê de Rosemary” de Polanski. “Os inocentes charmosos” é um belo e íntimo conto sobre uma longa conversa noturna, ocorrida no apartamento entre Bazyli – um médico de profissão e percussionista amador (papel desempenhado pelo genial ator Tadeusz Lomnicki) e a jovem Pelagia (Krystyna Stypulkowska). Será que o jovem concentrado em si mesmo e em “dolce vita” irá notar uma relação de amor nascente entre eles?
Neste primeiro filme de Wajda que não fala sobre a guerra, a câmera sai mais do estúdio para mostrar nas longas filmagens, uma língua da Nova Onda, a vida da boêmia varsoviana no início dos anos 60. Pela tela passam entre outros: Komeda, Polanski e Jerzy Skolimowski, vagueando sem sentido pelas ruas e praças, como Jean Seberg e Jean Paul-Belmondo em “Acossado” de Godard, Jean-Pierre Leaud em “Os incompreendidos” de Truffaut ou os protagonistas em “Os Boas-vidas” de Fellini.
Na última fase da Nova Onda, Wajda fez uma referência a ela com o filme. “O mesclado” (1968) e em “Tudo à venda”.
“O mesclado” foi uma única viagem na carreira de Wajda na direção da ficção científica. O roteiro foi escrito pelo mundialmente conhecido autor polonês desse genro de literatura Stanislaw Lem, baseado em sua própria novela. Uma comédia negra, realizada para a Televisão Polonesa, mostra as consequências do transplante na identidade sexual e jurídica do ser humano. Uma visão sugestiva de um mundo estéril do futuro foi criada com meios modestos, porém utilizados com criatividade, com a ajuda da cenografia e do figurino. O papel principal foi desempenhado pelo excelente ator cômico, Bogumil Kobiela – genial intérprete no papel de Jan Piszczyk em “Sorte vesga” de Munk, uma das últimas obras da Escola Polonesa de Cinema. “O mesclado” foi ligado com a Nova Onda entre outros pela introdução dos gibis no toque da narração. Toda parte visual do filme também foi da Onda Nova e referia-se à pop-arte, muito na moda nos anos 60.
Um dos mais belos filmes daquela década é “Tudo à venda”. A imagem foi criada sob influência da morte trágica de Zbigniew Cybulski, que se atirou do trem. Em 8 de janeiro de 1967 com 40 anos de idade Andrzej Wajda pela última vez colaborou com o seu ator preferido – Maciek de “Cinzas e diamante”, Edmund, em “Os inocentes charmosos” – e cinco anos antes na tela de uma novela polonesa “Amor dos jovens de vinte anos”. Cybulski, na falta de mais propostas do diretor disse a alguém: “Ele ainda vai sentir saudades de mim…”. Não se errou. Quando veio a notícia sobre a sua morte, Wajda estava elaborando um roteiro de um filme não somente com Cybulski no papel principal, mas também sobre Cybulski – uma lenda viva do cinema polonês. Entendeu que nunca iria realizar esse filme. Portanto fez outro: “Tudo à venda”, um conto sobre um diretor de filme (ele mesmo não atuou no filme, entregou esse papel a Andrzej Lapicki), que tenta fazer um filme sobre a vida de um ator (na tela o nome dele não é mencionado) – mas sem ele. Será que isso é possível?
Criado em circunstâncias excepcionais, o filme “Tudo à venda” foi feito com métodos realmente da Onda Nova. O roteiro foi apenas esboçado. Os interpretadores dos papeis principais improvisaram os diálogos. E mais – atuaram sob os próprios nomes, inclusive Daniel Olbrychski, que desempenhou um jovem ator, que ele realmente era naquela época, apontado como um substituto do ator ausente. Na verdade Olbrychski foi promovido a um “novo Zbigniew Cybulski”. E foi com dignidade que substituiu o seu grande antecessor à frente da câmera de Wajda. Cinemaníacos brasileiros convenceram-se disso há dois anos, assistindo “A terra prometida”, e agora vão confirmar a sua convicção durante as projeções não só de “Tudo à venda”, mas também “As senhoritas de Wilko”, “Senhor Tadeu” e “A vingança”.
“Tudo à venda” aproximou-se à Nova Onda com a livre construção dramatúrgica, com o final aberto e o estilo impressionista das sensacionais fotos coloridas de Witold Sobocinski, inspiradas na igualmente brilhante fotografia de Claude Lelouche em “Um Homem, Uma Mulher”. Essa obra-prima poética de Wajda é com razão comparada ao filme “Oito e meio” de Fellini, se situando entre os melhores filmes sobre filmes.
NO CÍRCULO DO CINEMA DA INQUIETAÇÃO MORAL
O Cinema da Inquietação Moral, além da Escola Polonesa de Cinema é o fluxo mais importante da história da cinematografia polonesa. Iniciado por “O Pessoal” de Krzysztof Kieslowski (1975), e bem introduzido no ano seguinte com “O homem de mármore” de Wajda e “Mimetismo” de Krzysztof Zanussi, virou um domínio dos diretores tão famosos como justamente Kieslowski, Agnieszka Holland ou Feliks Falk.
Naquela época eles somente começavam a sua carreira. Com os olhos espertos dos jovens inteligentes na fase dos trinta anos, eles notavam a discrepância entre a ficção de democracia, desenhada nas bandeiras do partido comunista que estava no poder (Partido Unido Trabalhista Polonês), e a falta da real liberdade de cidadania. Ao mesmo tempo repararam outros fenômenos negativos: corrida pela carreira, oportunismo, tentativas de controlar totalmente os cidadãos, falsificação da propaganda oficial etc.. Assim foi, de modo geral, a mensagem dos filmes mencionados, bem como de “Atores de província” de Holland, com o roteiro dela realizado com base no tocante drama de Wajda “Sem anestesia” (1978), “Amador” de Kieslowski, “O animador do baile” e “A Chance” de Falk, ou “Kung-fu” de Janusz Kijowski, autor da expressão “Cinema da Inquietação Moral”. Essa expressão foi um eufemismo, porque na verdade escondia por traz uma inquietação política dos seus criadores pelo destino do país.
A maior parte desses diretores Wajda conseguiu reunir no Zespol Filmowy “X” (Grupo de Cinema X), sob liderança própria e do famoso crítico de filmes Boleslaw Michalek, lembrando quanto ele mesmo devia na sua juventude aos protetores da Escola Polonesa de Cinema – ao diretor de filmes Jerzy Kawalerowicz e ao escritor e diretor de filmes Tadeusz Konwicki e ao seu Grupo de Cinema “Kadr”.
Como a ação de todos os filmes do Cinema da Inquietação Moral passava-se na vida contemporânea, quer dizer no fim dos anos 70, “O homem de mármore” inscrevia-se nessa tendência, principalmente em uma das duas camadas – justo na contemporânea. A então iniciante diretora de filme, Agnieszka (com uma excelente estréia de Krystyna Janda, hoje uma atriz de fama européia) tentava realizar para a televisão estatal (pois então outra na Polônia não existia!) – um filme para o seu diploma de graduação, o qual toca o tema tabú daquela época: o stalinismo. A equipe e a diretora de montagem tentam ajudar “a jovem revoltada” da melhor maneira possível, mas o diretor da edição, fiel ao poder comunista, quer que ela faça outro filme: uma boa propaganda do sistema. Agnieszka não se rende…
A ligação desse enredo com outro, retrospectivo, que nos leva ao início dos anos 50, aos tempos de Stalin, fez com que “O homem de mármore” tenha se tornado um evento não somente artístico, mas também sócio-político. As retrospectivas mostram o que deve acontecer com o conteúdo do filme de Agnieszka: o destino de um simples pedreiro, Mateusz Birkut (comovente papel de Jerzy Radziwilowicz), um dos tantos assim chamados “trabalhadores superprodutivos”. Na época do stalinismo essas pessoas bateram recordes em desempenho no trabalho, por exemplo, na colocação de milhares de tijolos durante a construção de prédios, ou extração de muitas toneladas de carvão das minas em curto prazo. Dessa maneira resgataram os planos impossíveis a custo de sua própria saúde. Faziam isso geralmente pela convicção ideológica, como Birkut, porque o país emergente das ruínas de guerra exigia esses sacrifícios. Só que quando quiseram protestar contra uma exploração demasiada, ou qualquer outra irregularidade, o poder virava-se contra eles.
Quando no início do ano 1977 depois de uma luta contra a censura, “O homem de mármore” começou a ter a sua distribuição limitada (quatorze anos antes foi publicado o roteiro escrito por Aleksander Scibor-Rylski), as bilheterias estavam hiperlotadas.
A sociedade, de cuja memória coletiva na época de stalinismo foi literalmente “deletada”, estava ansiosa em ver nas telas as manipulações mentirosas da propaganda governamental, as práticas cruéis da polícia política, etc. Ao mesmo tempo conseguiu-se notar no enredo contemporâneo do filme, que apesar do terror já ser coisa do passado, ainda era difícil falar a verdade sobre ele. Uma prova disso foram os problemas que Agnieszka enfrentou na realização do filme sobre o operário Birkut, bem como os que Wajda enfrentava em “O homem de mármore”.
Wajda juntou os dois planos de tempo da ação do filme em uma coisa só, usando a construção do “Cidadão Kane” de Orson Welles: Agnieszka consegue chegar às pessoas que conheciam Birkut, e os contos dessas pessoas sobre ele recebem na tela uma forma de retrospectiva. Dessa maneira “O homem de mármore”, abrindo um capítulo importante na arte cinematográfica da Polônia – o Cinema da Inquietação Moral – referiu-se também como um dos melhores exemplos estrangeiros.
Alem da dimensão artística, o mais importante em “O homem de mármore” foi a enorme repercussão social do filme. Esta obra crucial junto com todo o Cinema da Inquietação Moral, conseguiu trazer transformações na consciência política dos Poloneses, as quais em 1980 contribuíram para a criação do “Solidariedade” – o primeiro sindicato independente no bloco dos países comunistas. Provavelmente por isso Wajda considera – e com razão! – “O homem de mármore” o filme da vida dele.
Alguns meses antes das greves na região litoral e do sul (mineira) da Polônia, onde estava nascendo o “Solidariedade”, entrou em cartaz “O maestro”, um dos últimos filmes do Cinema da Inquietação Moral, o qual ao cumprir a sua missão, foi descontinuado.
Apresentado em “O maestro” o conflito entre um jovem, um chefe despótico de uma orquestra sinfônica provincial, Adam Pietrzyk (Andrzej Seweryn), contra o qual se revoltam finalmente todos os músicos, e o adorado por eles, o velho maestro, John Lasocki, pessoa de grande e verdadeiro carisma (esse papel desempenhou o grande ator britânico John Gielgud), foi uma metáfora legível de dois estilos de poder executado sobre a sociedade.
Menos óbvia para os espectadores poloneses de “O maestro” foi a intenção de Andrzej Wajda de que na pessoa de Lasocki – um emigrante polonês, que depois dos anos de ausência voltou para uma apresentação na sua pátria – o público visse… Karol Wojtyla, o então recentemente escolhido Papa João Paulo II. (Durante a realização do filme, Wojtyla pela primeira vez visitou a Polônia como Papa e ganhou simpatia de milhões de poloneses, o que não gozava o autoritário poder comunista).
Em cenas, onde os espiões locais depreciavam o esforço da orquestra e dos dois maestros na preparação da “Sinfonia n.º 5″ de Beethoven, sem problema foi notada a alusão à situação do artista no país, muitas vezes desamparado frente às ordens oficiais (assim como no país capitalista, para dizer sinceramente, ele fica preso por produtores e patrocinadores).
Em todas essas camadas, “O maestro” pertencia ainda ao Cinema da Inquietação Moral. Ao mesmo tempo ele estava saindo no sentido de um cinema diferente, apolítico. O enredo de fascinação de Lasocki, por uma jovem violinista Marta (desempenhada por Krystyna Janda) – esposa do regente-tirano, concedeu ao filme de Wajda um tom de drama psicológico. Antes de qualquer coisa “O maestro” – inspirado pela conversa de Wajda com o grande compositor e regente Andrzej Markowski – foi um dos primeiros, e com o tempo cada vez mais freqüentes filmes, onde a música parou de ter papel somente ilustrativo, crescendo para a qualidade de heroína, contada na tela da história. Igual como em “Ensaio de orquestra” de Fellini, “Todas as manhãs do mundo” de Alain Corneau e claro em “Amadeus” de Milos Forman. Será que o enredo de ciúme do frustrado Pietrzyk pela leveza de condução da orquestra por Lasocki não nos lembra o conflito do frouxo Salieri com o genial Mozart?
WAJDA NOSTÁLGICO
“Por sorte nunca fui um maníaco da política no cinema” – confessa o diretor de “O homem de mármore” no livro “Wajda. Os filmes” (Varsóvia, 1996). “Amei o cinema e o seu ambiente sempre foi o conteúdo da minha vida. Por isso, foi com prazer que toquei os temas distantes de quaisquer alusões políticas contemporâneas” – diz no primeiro capítulo dedicado a “As senhoritas de Wilko”.
Esse filme é uma obra-prima, apesar de tão diferente de “O homem de mármore”: um filme calmo, com reflexão, nostalgia e um tom de melancolia, que traz à tela o mundo da aristocracia agrária dos anos vinte entre as duas guerras mundiais.
Numa dessas mansões, de surpresa, aparece um solteirão de quase 40 anos, Wiktor Ruben (Olbrychski). Quando esteve aqui na última vez, há quinze anos, fugiu do amor, oferecido pelas jovens irmãs – tituladas “senhoritas de Wilko”. Porém agora, já é tarde demais para isso.
Uma história filmada sobre a vida vazia e carente, quando não guiada pelo sentimento passado na solidão, que não pode ser vencido por qualquer pessoa – foi levada à tela baseada em um conto do excelente escritor polonês, Jaroslaw Iwaszkiewicz.
Na literatura polonesa poucos autores sabiam escrever sobre o amor, inevitável passagem do tempo e a morte de maneira tão bonita como ele. Wajda teve uma sorte excepcional com a prosa desse autor. Com sucesso mergulhou nela não só em “As senhoritas de Wilko”, mas também no maravilhoso “O bosque de bétulas” (1970), no espetáculo de televisão “Uma noite de junho” (2001) e em “Cálamo”, sobre o qual ainda falaremos.
Apesar do herói principal de “As senhoritas de Wilko” ser um homem, foram as mulheres que deram o nome ao filme. Wajda rodeou Olbrychski das excepcionais atrizes: Maja Komorowska, Anna Seniuk, Stanislawa Celinska e Krystyna Zachwatowicz, que na vida privada é esposa do diretor. A mais nova das irmãs foi interpretada por uma atriz francesa Christine Pascal, que morreu tragicamente em 1996.
Um homem idoso que aparece na tela em alguns momentos de “As senhoritas de Wilko” é o próprio Jaroslaw Iwaszkiewicz. Ele passeia – sempre sozinho! – nos arredores da mansão. Ele vive por si mesmo personagens criadas do conto e do filme. O escritor transfere-se então para os tempos antigos – será que para os próprios sentimentos e recordações? No final troca olhares significantes com Wiktor – como se fosse com ele mesmo em anos passados?
As mesmas perguntas são provocadas pela presença de outro grande autor (e diretor de cinema), Tadeusz Konwicki, num segundo filme nostálgico de Wajda, realizado com base no romance dele seis anos depois de “As senhoritas de Wilko” – “Crônica dos acidentes amorosos”. Konwicki interpreta o Desconhecido, uma personagem do seu livro – uma encarnação adulta de Wicio (Piotr Wawrzynczak), um aluno de ginásio, que um pouco antes da II Guerra Mundial apaixona-se por uma jovem da mesma idade, uma senhorita de boa família, Alina (Paulina Mlynarska). Para esse rapaz a vida só está começando, mas o mundo pretende chegar ao fim, o que no filme é anunciado pela galopante cavalaria e os ainda vivos Judeus, que logo serão vitimas do Extermínio. O Desconhecido já sabe de tudo isso, mas Wicio ainda ficará sabendo, aonde os encontros deles na filmagem de “Crônica dos acidentes amorosos” que muito bem refletem o clima de quase toda a criação literária e cinematográfica de Konwicki, cheia de junções excepcionais entre o presente, o passado e o futuro.
No poema “Senhor Tadeu”, a partir do qual surgiu a versão filmada por Wajda, será outra oportunidade aos espectadores para assistirem na nossa mostra, um dos mais importantes poetas poloneses do romantismo, Adam Mickiewicz, que usou a expressão “o país dos anos de infância”. Konwicki serviu-se dessa expressão como referência de “Crônica dos acidentes amorosos”. A ação do livro se passa no seu “país dos anos de infância” – em Vilnius, que até a guerra situava-se na fronteira do leste da Polônia de então, mas logo depois do estouro da guerra foi anexada à União Soviética (Agora é a capital da Lituânia independente).
Para Konwicki, o maduro autor de “Crônica dos acidentes amorosos”, Vilnius foi então apenas uma recordação distante no tempo, porém próxima ao coração. E desse modo também Wajda mostra essa cidade: na tela, embrulhada por uma leve neblina, parece como se fosse um lindo sonho. Falando a verdade, não é a verdadeira Vilnius. Quando em 1985 nascia o filme, as autoridades cinematográficas do nosso país, então ainda socialista, não deixaram Wajda realizar o filme no cenário real. Vilnius foi criada na frente das câmeras por várias cidades da Polônia.
DÚVIDAS E ESPERANÇAS
Nos falta ainda descrever mais quatro filmes de Andrzej Wajda dos anos 1989-2009 (“Korczak”, “Senhor Tadeu”, “A Vingança”, “Cálamo”), filmes realizados já na Polônia independente, democrática e não comunista.
O início da transformação do sistema foi para os nossos cineastas um momento difícil. É óbvio que em debates no ambiente prevalecia a alegria das transformações acontecidas no país, mas ao mesmo tampo aparecia uma insegurança quanto à direção para qual iria o cinema polonês. Antes ele tinha um objetivo claro para seguir: uma possível crítica ao inimigo, ou seja, ao sistema – apesar de mais ameno que em outros países do bloco comunista, porém não aceitado pela maioria da sociedade. Daí surgiu o sucesso de “O Homem de mármore”, bem como de todo o Cinema da Inquietação Moral. Agora este inimigo deixou de existir, por isso a realização dos filmes políticos parecia não mais ter razão de existir, pelo menos temporariamente. Isso foi entendido pelo famoso diretor de filme Krzysztof Kieslowski, falecido em 1996. O cineasta, que anunciou o Cinema da Inquietação Moral com “O Pessoal”, subiu para o alto com “Amador”, e nos anos 80 continuou perto da política em “Acaso” e “Sem fim”, feito já na nova realidade, em “A dupla vida de Verônica”, dirigiu-se às regiões da psicologia e metafísica, para se estabilizar nelas em filmes posteriores.
Os jovens cineastas, não carregados pela missão de luta com o sistema, apostaram no cinema de entretenimento, situado na realidade polonesa, mas com seu estilo tendo como referência os exemplos do cinema de Hollywood. Encontraram uma linguagem comum com o novo público de cinema entre os 15-25 anos de idade, que especialmente venerou os filmes de Wladyslaw Pasikowski: “Kroll”, “Cachorros” e “Cachorros 2: O último sangue”.
No início parecia que Andrzej Wajda encontrava-se em nova época, apesar de não lisonjear o público jovem, nem declarar, que a partir de então iria realizar somente dramas psicológicos como “As senhoritas de Wilko”. Muito pelo contrário, com o filme “Korczak”, feito de acordo com o roteiro de Agnieszka Holland em co-produção polono-alemã, voltou para um dos seus temas preferidos – a segunda guerra mundial e a ocupação nazista na Polônia. Mas a liberdade de criação utilizou com o objetivo de filmar esse tema de tal maneira, que antigamente não era bem vista pelo governo. Em “Korczak” Wajda mostrou a complexa realidade do Gueto de Varsóvia e – além das atitudes heroicas dos Poloneses, por exemplo, do motorista do bonde que clandestinamente jogava os pães para os famintos e por causa disso é assassinado por um nazista alemão – mostrou também aquelas, que não podem ser o objeto de nosso orgulho.
Mas o que mais importa no filme de Wajda é a atitude do herói principal, um pedagogo, médico e escritor Janusz Korczak (nome verdadeiro. Henryk Goldszmit), conhecido também como “o Velho Doutor”. A sua atitude na hora da maior prova assegurou-lhe um lugar imortal. “Korczak” é uma imagem modesta, em preto e branco com a comovente interpretação de Wojciech Pszoniak no papel principal e excelente fotografia do internacionalmente conhecido operador holandês Robby Muller, que colaborou com Wim Wenders em “Paris, Texas”, fez a fotografia de “Daunbailó” e “Dead Man” de Jim Jarmusch, bem como “Ondas do Destino” de Lars von Trier.
Com “Korczak”, Wajda começou uma série de corajosos filmes sobre o Holocausto, excedendo Steven Spielberg em “A Lista de Schindler” e Roman Polanski como diretor de “O Pianista”.
Mas depois ele se perdeu. Nem os próximos dramas de guerra e ocupação, realizados com base na prosa de Aleksander Ścibor-Rylski e Jerzy Andrzejewski, que na época do comunismo não foram possíveis de realizar por causa de censura, como: “Um anel com uma águia de coroa” (1992) e “Semana Santa” (1995), nem “A senhorita Ninguém” (1996) filme baseado em um romance do best-seller de Tomasz Tryzna direcionado aos os jovens, não trouxeram ao diretor – o qual admitiu pessoalmente várias vezes – um reconhecimento especial da crítica e dos espectadores.
Houve pessoas que anunciavam o fim da carreira do criador do filme “Cinzas e diamante”.
Um socorro verificou-se como sendo a sua volta à fonte de grandes sucessos de Wajda no passado: a familiar tradição do romantismo polonês e a literatura clássica da Polônia, filmada com êxito antigamente – em “Cinzas” (1965), baseada na epopeia de Stefan Zeromski, “A festa de casamento” (1972), baseada no drama de Stanislaw Wyspianski e “A Terra Prometida”, uma adaptação do romance de Wladyslaw Reymont.
Foram os filmes históricos, que levaram o espectador para um passado mais ou menos distante da Polônia.
Em uma das entrevistas Wajda revelou um oculto objetivo político de ressuscitar as épocas passadas. Tratava-se de relembrar à sociedade polonesa que a história do país onde moravam, não começou pela República Popular da Polônia (comunista), e que antigamente existiram também outras Repúblicas.
Porém após 1989, quando a Polônia comunista também passou para a história, perderam-se o sentido em se fazer referências às obras da literatura clássica, para ofuscá-la. Se então Wajda empenhou-se em adaptação de duas obras da época do romantismo, que mostram a vida da aristocracia polonesa do início do séc. XVIII – do poema de Adam Mickiewicz “Senhor Tadeu” e da comédia de Aleksander Fredro “A Vingança”, colocou como objetivo outra tarefa: revelar o caráter nacional dos Poloneses, que, em traços gerais, em cada época da história continua sendo igual.
Os Poloneses têm várias virtudes, como um grande patriotismo ou hospitalidade, mas – como todas as nações – não são livres de defeitos. Se alguém tentasse fazer uma lista deles, o gosto de brigar e persistência em conflitos não pegariam os últimos lugares. Enquanto um dos protagonistas de “Senhor Tadeu” está organizando um levante nacional, porque está vendo uma chance dos Poloneses em recuperar o próprio país, dividido entre os invasores, ao lado do César francês Napoleão Bonaparte – porém outros estão muito ocupados com uma luta insaciável por um castelo. Um conflito parecido, dessa vez pelo muro de divisão do castelo, ocorre – só que sem o contexto patriótico e em um tom mais satírico – em “A Vingança”. Um dos diretores de arte do filme, Maciej Karpinski, esperava que aquele muro fosse associado ao Muro de Berlim, cuja a queda em 1990 tornou-se um dos símbolos do final do comunismo.
Quando Wajda na passagem dos anos 90 para 2000 levava à tela “Senhor Tadeu ” e “A Vingança”, a jovem democracia polonesa infelizmente também estava envolvida em vários conflitos por “castelos” e “muros”, e não se livrou deles até hoje. O diretor vestiu então esse figurino histórico como uma visão crítica, mas também cheia de humor, sobre a realidade contemporânea do seu país.
É difícil constatar se essa mensagem chegou a todos os espectadores. Mas uma coisa é certa: o primeiro dos dois filmes, feito em co-produção com a cinematografia francesa “Senhor Tadeu” cuja estréia teve lugar no final de1999 no Teatro Grande de Varsóvia, quebrou uma onda infeliz de Andrzej Wajda. Realizado com uma ostentação épica, grande, o espetáculo colorido trouxe aos cinemas mais de seis milhões de espectadores, enquanto a audiência nos filmes poloneses atinge em média trezentas mil pessoas.
No plano de “Senhor Tadeu” Wajda conseguiu reunir um imponente elenco, composto por excelentes atores, de grande popularidade. Eles tornaram-se uma atração para o público. Entre eles não faltou Boguslaw Linda – adorado pelo público jovem por papéis onde faz o estilo do homem “durão” nos filmes de Pasikowski, bem como Daniel Olbrychski, Andrzej Seweryn e também a linda e sensual Grazyna Szapolowska. No papel da jovem Zosia, estreou Alicja Bachleda-Curus, que virou parceira de Colin Farrell em “Ondine” de Neil Jordan.
Houve certo receio sobre como iriam soar dos lábios desses conhecidos atores os diálogos deste poema de Adam Mickiewicz. Esses receios foram parcialmente tirados pelo sucesso da anterior adaptação feita por Wajda de uma obra em poema – “A Festa de casamento” de Stanisław Wyspianski. Certamente esses receios verificaram-se inúteis: todos os monólogos e conversas no filme “Senhor Tadeu” são tão fluentes e naturais, como se os atores conversassem em versos todos os dias.
O mesmo pode ser dito sobre a adaptação cinematográfica de “A Vingança” – uma obra-prima do maior escritor de comédia na história de literatura polonesa – Aleksander Fredro. Wajda fez esforços para esconder na tela a origem teatral do modelo literário, por exemplo, transferindo uma parte da ação para o cenário de inverno, o que tinha vantagem de dar uma linda e tonalizada cor ao filme. “A Vingança” de Wajda ficou afastada da versão teatral também pelo formato panorâmico da tela, o que fez possível a encenação baseada nos movimentos dinâmicos dos atores em espaço amplo.
“A Vingança” de Wajda não teve um sucesso tão espetacular como “Senhor Tadeu”, porém nas memórias dos espectadores ficou gravada como em pérolas a atuação comediante deste filme. Justamente por este motivo, este filme deveria ser mostrado também ao público brasileiro, principalmente contendo uma surpresa de elenco: um dos heróis principais é interpretado pelo não mais e não menos… Roman Polanski.
UM PORTO SEGURO
O ano de 2007 na cinematografia polonesa foi o ano de “Katyn” – segundo filme Andrzej Wajda, depois de “Korczak”, que fala sobre a guerra. Um filme realizado na Polônia independente, onde poderia contar o que precisou omitir durante a Polônia comunista. Mostrou no filme o crime que foi cometido na primavera de 1940 pelos funcionários da polícia política soviética (NKVD), matando em Katyń, um lugarejo perto da cidade de Smolenski na ex-União Soviética, mais de vinte mil cidadãos poloneses – principalmente altos oficiais do exército, mas também civis. Mostrou também a tão chamada mentira de Katyn, imposta à sociedade polonesa: ordem de manter silêncio sobre o assunto, com exceção de atribuir o crime aos nazistas, conforme mostrava propaganda oficial.
A realização de “Katyn” foi para Andrzej Wajda muito esgotante, não só em virtude do significado do tema e do caráter épico do filme, mas também por razões pessoais: entre as vítimas da limpeza soviética da sociedade polonesa estava o próprio pai do diretor, oficial do Exército Polonês de antes da guerra, o capitão Jakub Wajda.
Talvez justamente por esse grande esforço psicológico, colocado na preparação e realização de “Katyn” que fez o artista na passagem dos oitenta anos de idade fazer outro filme, mais modesto, íntimo e calmo. Voltou então às novelas de Jaroslaw Iwaszkiewicz, como se fosse um porto seguro, ao qual – lembremos – já antes explorado com sucesso em: “O bosque de bétulas”, “As senhoritas de Wilko” e a apresentação de televisão “Uma noite de junho”.
A heroína da novela, Marta, uma mulher educada de meia-idade, um pouco descuidada pelo marido, sofre de uma doença mortal. Os filhos dela morreram na guerra. E de repente sobrevive uma fascinação rejuvenescedora por um simples rapaz de vinte anos, Boguslaw. Essa fascinação dá um sentido à sua vida, que sem misericórdia segue na direção do seu fim.
O maior problema na transferência de “Cálamo” para a tela consistia no fato de que a novela de Iwaszkiewicz é bastante curta e com a sua história não se podia encher um filme de longa-metragem. Vários métodos de complementação do roteiro foram usados, mas finalmente a parte faltante foi escrita pela própria vida. Ou melhor, pela morte.
No trabalho sobre “Cálamo” eram para se encontrar, depois de trinta anos de intervalo, três amigos: a interpretadora do papel de Marta – Krystyna Janda, Andrzej Wajda e o operador de câmera, na vida privada marido de Janda – Edward Klosinski. Anos antes eles fizeram juntos: “O homem de mármore”, “Sem anestesia” e “O homem de ferro”. Este filme não foi escrito para eles se alegrarem com a volta comum à tela: um pouco antes disso acontecer, Edward Klosinski, morreu de câncer na realização do filme “Cálamo” , onde foi substituído com dignidade por Pawel Edelman, com quem Wajda colaborou também em “Senhor Tadeu”, “A Vingança” e “Katyn”. No filme “Cálamo”, Edelman registrou um tocante monólogo de Krystyna Janda sobre os últimos dias da vida e sobre a morte do seu marido. Foi justo esse depoimento íntimo da atriz que completou o conto, sobre a Marta (interpretada por ela) e a sua fascinação por um jovem tímido, cuja ação se passa nos finais dos anos 50.
Em seguida Wajda mostra também Janda na vida privada no plano do filme “Cálamo”. Além disso, vemos também a equipe de filmagem e o próprio diretor. Desse modo a ação do filme e a realidade são entrelaçadas – como antes em “Tudo à venda”, mesmo que de maneira diferente.
Janda, interpretando Marta, faz uma sensual criação, na qual um grande mérito atribui-se a uma nova e surpreendente estilização do rosto da atriz. Boguslaw, um jovem cuja aparência lembra um pouco Mateusz Birkut em “„O homem de mármore” (quase a mesma época e moda!) foi interpretado por Pawel Szajda, ator americano de origem polonesa. Um grande aplauso encontrou a modesta criação do notável ator e diretor de teatro, Jan Englert no papel do marido de Marta. Há cinquenta anos Englert fez sua estréia de cinema também no filme de Wajda, em “Canal”.
Andrzej Wajda pela quarta vez não se desiludiu com a prosa de Jaroslaw Iwaszkiewicz. Mesmo que a filmagem de “Cálamo” ceda o lugar às encenações anteriores, principalmente de “O bosque de bétulas” e “As senhoritas de Wilko”, continua sendo um filme de extremo valor cultural. A sua sutileza pode se ouvir na música composta por um compositor de trinta anos, Pawel Mykietyn, tão diferente das potentes sonantes, porém igualmente excelentes, partituras do clássico da música polonesa Wojciech Kilar, em “Crônica dos acidentes amorosos”, “Korczak”, “Senhor Tadeu” e “A Vingança”.
O valor pitoresco das imagens é mais uma virtude de “Cálamo”, mas isso não faz distinguir muito esse filme das outras obras de Wajda, já que a maioria delas tem a mesma virtude. Lembremos que o diretor de “Katyn” é graduado não somente de legendária Escola Superior Estadual de Cinema de Lodz, mas também na Academia de Belas Artes de Cracóvia.
Em contexto de conjunto de criação do autor de “Cinzas e diamantes”, e a sua jóia tardia – “Cálamo” – registra-se com o seu caráter reflexivo. O próprio Wajda constatou ao receber o Oscar pelo conjunto de sua obra e criação artística:
“A minha tarefa, como diretor, não é proporcionar às pessoas um divertimento prazeroso para a noite. A minha tarefa consta em incentivá-las a pensar”.
Varsóvia, junho de 2011
CURITIBA - Cinemateca de Curitiba (R. Carlos Cavalcanti, 1174, Centro)
| Dia 06/09 (terça-feira) | 16h00 | Cálamo / Tatarak O Mesclado / Przekładaniec |
| 19h30 | A Vingança / Zemsta – ABERTURA OFICIAL DO FESTIVAL | |
| Dia 07/09 (quarta-feira) | 16h00 | Senhor Tadeu / Pan Tadeusz |
| 19h30 | Korczak / Korczak | |
| Dia 08/09 (quinta-feira) | 16h00 | Crônica dos Acidentes Amorosos / Kronika Wypadków Miłosnych |
| 19h30 | As Senhoritas de Wilko / Panny z Wilka | |
| Dia 09/09 (sexta-feira) | 16h00 | O Maestro / Dyrygent |
| 19h30 | O Homem de Marmore / Człowiek z Marmuru | |
| Dia 10/09 (sábado) | 16h00 | Tudo à Venda / Wszystko na Sprzedaż |
| 19h30 | Os Magos Inocentes / Niewinni Czarodzieje | |
| Dia 11/09 (domingo) | 16h00 | Cálamo / Tatarak O Mesclado / Przekładaniec |
| 19h30 | Os Magos Inocentes / Niewinni Czarodzieje |
FLORIANÓPOLIS - Paradigma Cine Arte (Rodovia José Carlos Daux (SC 401) n° 8600 sala 2 bloco 8 Centro Empresarial Corporate Park, Sto Antônio de Lisboa)
| Dia 23/10 (domingo) | 17h00 | ABERTURA OFICIAL DO FESTIVAL |
| 18h00 | Cálamo / Tatarak | |
| 19h40 | A Vingança / Zemsta | |
| 21h30 | O Mesclado / Przekładaniec | |
| Dia 24/10 (segunda-feira) | 19h00 | Korczak / Korczak |
| 21h00 | Senhor Tadeu / Pan Tadeusz | |
| Dia 25/10 (terça-feira) | 19h00 | Crônica dos Acidentes Amorosos / Kronika Wypadków Miłosnych |
| 21h00 | As Senhoritas de Wilko / Panny z Wilka | |
| Dia 26/10 (quarta-feira) | 19h30 | O Maestro / Dyrygent |
| 21h00 | O Homem de Marmore / Człowiek z Marmuru | |
| Dia 27/10 (quinta-feira) | 19h00 | Tudo à Venda / Wszystko na Sprzedaż |
| 21h00 | Os Magos Inocentes / Niewinni Czarodzieje |
PORTO ALEGRE - StudioClio (Rua José do Patrocínio, 698, Cidade Baixa)
| Dia 05/10 (quarta-feira) | 19h00 | A Vingança / Zemsta – ABERTURA OFICIAL DO FESTIVAL |
| Dia 07/10 (sexta-feira) | 15h00 | Cálamo / Tatarak |
| Dia 11/10 (terça-feira) | 15h00 | Senhor Tadeu / Pan Tadeusz |
| Dia 19/10 (quarta-feira) | 15h00 | Korczak / Korczak |
| Dia 21/10 (sexta-feira) | 15h00 | Crônica dos Acidentes Amorosos / Kronika Wypadków Miłosnych |
| Dia 24/10 (segunda-feira) | 15h00 | As Senhoritas de Wilko / Panny z Wilka |
| Dia 26/10 (quarta-feira) | 15h00 | O Maestro / Dyrygent |
| Dia 11/11 (sexta-feira) | 19h00 | O Homem de Marmore / Człowiek z Marmuru |
| Dia 16/11 (quarta-feira) | 15h00 | Tudo à Venda / Wszystko na Sprzedaż |
| Dia 22/11 (terça-feira) | 15h00 | Os Magos Inocentes / Niewinni Czarodzieje |
( Fonte: http://www.kurytybakg.polemb.net/index.php?document=139 )
Frans Krajcberg
Frans Krajcberg, nascido em 12 de abril de 1921, na cidade de Kozienice, Polônia, desde 1948 vive no Brasil, país em que foi naturalizado.
É um dos grandes nomes da arte moderna brasileira, com sua obra abrangendo a pintura, escultura, fotografia.
O artista plástico tem como tema de suas obras a exuberância da natureza brasileira, utilizando madeira e raízes em seus trabalhos, mediando a arte com a preservação da natureza, que agora pode ser conferida na exposição que acontece em São Paulo.
“Museu Afro Brasil recebe
exposição de Frans Krajcberg
O Museu Afro Brasil recebe a mostra KRAJCBERG, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas, do artista plástico Frans Krajcberg que, uma vez mais ergue sua voz em defesa da Natureza do país que adotou. Com curadoria de Emanoel Araujo, a exposição composta por 31 obras conta com esculturas em grandes dimensões, relevos, back-light e fotografias.
Suas obras, relevos e esculturas são feitos com sobras das matas queimadas que o próprio artista recolhe em suas peregrinações solitárias. As sobras, em verdade, são mais que simples restos. “São o que resulta das atrocidades praticadas contra a natureza do Brasil”, diz seu curador, Emanoel Araujo. Mas nas mãos habilidosas de Frans Krajcberg, que acredita no ideal pelo qual luta há tantos anos, pedaços de madeira carbonizada transformam-se em peças harmônicas e delicadas, que, com toques de cor, unem-se silenciosamente em um protesto contra a devastação.
Nas fotografias, a imagem da real crueldade. O fogo ardendo sobre a mata prenuncia a destruição. Áreas totalmente carbonizadas, lúgubre cenário. Mas, a natureza em sua sabedoria, demonstra mais força do que os que a querem destruir. Em um recorte de esperança, novas folhas e floresdesbravam seu árduo caminho até a luz do sol, lutando pela renovação da vida. “Essas formas de cores quentes captadas pela magia da sua lente são a mais inegável demonstração de sua luta por salvar a beleza que ainda vive nas nossas matas”, diz Emanoel Araujo.
Nas formas e materiais das obras de Frans Krajcberg vislumbra-se algo mais que uma simples criação. Vê-se o desejo do artista de devolver vida a natureza, em uma tentativa de reinventá-la.
“Frans Krajcberg, na sua longa vida artística, como gravador, escultor ou fotografo, esteve irremediavelmente ligado às terras do Brasil”. Emanoel Araujo
Serviço: Exposição Frans Krajcberg – “KRAJCBERG, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas”
Local: Museu Afro Brasil
Endereço: Av. Pedro Alvares Cabral, s/n – Pq. Ibirapuera – Portão 10 – São Paulo – SP
Telefone: 0xx(11) 3320-8900
Quando: até 06 de Novembro de 2011
Horário: Terça a domingo das 10h às 17h
Quanto: Entrada gratuita
Site: www.museuafrobrasil.org.br ”
Publicado em: http://visitesaopaulo.com/blog/index.php/2011/09/museu-afro-brasil-recebe-exposicao-de-frans-krajcberg/
Danças polonesas, com Piotr Banasik
Em parceria com o Instituto Adam Mickiewicz e o Ministério da Cultura e do Patrimônio Nacional da Polônia, o StudioClio apresenta o recital Danças polonesas, com o pianista Piotr Banasik. Oriundas da tradição nacional e do folclore polonês, essas danças surgiram no repertório pianístico a partir de Fryderyk Chopin, mas se estenderam a outros compositores, como Paderewski e Scharwenka.
Programa:
Ignacy Jan Paderewski (1860 – 1941)
Mazurka em Lá Maior op. 9 nº 3
Mazurka Si bemol Maior op. 9 nº 4
Cracovienne Fantastique op. 14 nº 6
Xavier Scharwenka (1850 – 1924)
Dança polonesa em mi bemol minor op. 3 nº 1
Dança polonesa em Fá Maior op. 58 nº 1
K. Szymanowski (1882 – 1937)
Prelúdios op. 1 (nº1, nº 2, nº 3 e nº 5)
Estudo em si bemol menor op. 4 nº 3
Fryderyk Chopin (1810 – 1849)
Balada em sol menor op. 23
Mazurka em lá menor op. 17 nº 4
Valsa op. 34
Mazurka si minor op. 33 nº 4
Polonaise Lá bemol maior op. 53
Informações deste Evento
Docente(s): Piotr Banasik
Quando: Dia 16 de outubro, domingo, às 19h
Vagas disponíveis: 100
Duração: 1h
Local: Studio Clio, Rua José do Patrocínio – 698
Cidade Baixa
Porto Alegre / RS











